Wednesday, May 25, 2011

Fica a dica de leitura...


ótimo livro para aqueles que gostam de arte e de moda!!!

seria essa a "anquinha" dos tempos modernos?

Sandra Bullock na entrega do Oscar 2011

um exemplo de uma crinolina

Da crinolina à minissaia

Nós, amantes da moda, devemos gratidão aos burgueses. Foram eles que iniciaram esse fenômeno cíclico e efêmero que hoje está inserido no cotidiano de todos. Foi no período do Renascimento, que os burgos, emergindo financeiramente, começaram a copiar as roupas da nobreza, dando inicio a um principio de transformação permanente dos gostos, característica que melhor representa a moda. Porém, foi no século XIX, século da alta costura, de encontros nos bailes, teatros, óperas - espaços de sociabilidade burguesa, onde as mulheres podiam se expor, somente acompanhadas de seus maridos, ou familiares, que a moda se popularizou. Através destes encontros se divulgavam as tendências, que até então eram apenas por obras de arte, como as telas dos pintores.
O casamento era a carreira ideal feminina. Através da vestimenta que se fazia o “marketing pessoal”. Sua imagem era um dos poucos artifícios que se valia para a conquista, já que suas aparições em lugares públicos eram restritas. Por este motivo, as mulheres deveriam estar sempre impecáveis, com trajes sem mobilidade que acentuavam sua fragilidade e vida ociosa. Por influência do Romantismo, a figura feminina deveria ser melancólica, frágil e submissa ao homem e, como se não bastasse, ainda deveria transmitir as funções naturais de reprodutora, onde as “ancas” deveriam ser arredondadas. Desde pequena, as meninas aprendiam que, para serem aceitas nos padrões, deveriam se submeter às torturas da moda. Como exemplo, o uso dos espartilhos que tinham de ser bem ajustados para afinar a cintura; mulher de cintura larga não conseguia bom casamento.
A cultura foi e continua sendo responsável pelo redesenho do corpo feminino, alterando sua estrutura natural biológica. As mulheres sempre arrumaram um jeito de se encaixar nos padrões de cada época. Em 1850, surgiram as primeiras crinolinas - armações construídas à base de metal, feitas para dar volumes às saias, um grande inconveniente na locomoção, uma vez que as mulheres mal podiam passar na porta. Confinados seus corpos à prisão das crinolinas e aos estrangulamentos dos espartilhos, fadiga e desmaios eram comuns, ficavam sempre pálidas e com aspecto doentio, estereótipo que virou padrão de beleza na época. Em 1860, os volumes das saias começaram a se deslocar para trás, com ênfase na região glútea, a chamada anquinha. Foi no século XIX que surgiram também, as mangas bufantes; o uso de xales para cobrir o colo; o chapéu, que dificultava a identificação da mulher devido às abas e às amarrações em laços que cobriam quase todo o rosto; o leque; o guarda-sol; elementos que funcionavam como equilíbrio para a estética da roupa.
Liberdade para as mulheres! Já no final do século XIX e inicio do século XX, as mulheres começam a se libertar. A participação em atividades esportivas, como ciclismo e cavalgada, permitiram o uso de calças estilo Bloomer, uma espécie de vestido solto, abaixo dos joelhos, usado com calças afofadas até o tornozelo, um importante avanço para a história da moda. Agora, o que muita gente não sabe é que foi devido à Primeira Guerra Mundial que tal liberdade se concretizou. Os antigos sistemas e valores sociais foram destruídos de forma rápida, assim como o mapa geopolítico da Europa e do Médio Oriente, conseqüências distintas da guerra. Com o surgimento de uma nova classe média, o espartilho foi renunciado e trocado por roupas mais funcionais, marcando o inicio de uma nova era da moda. Em 1968, considerado o ano da revolução, foi marcado por vários acontecimentos importantes, entre eles o surgimento da minissaia, uma novidade para os conservadores e uma vitória para as jovens que buscavam respeito, liberdade não só de expressão, mas de estilo também. Os anos passam, as tendências mudam e as mulheres continuam sendo o principal alvo de tantas transformações. Ainda hoje, século XXI, no mundo oriental contemporâneo, por exemplo, ainda existem muitas restrições, como o caso das mulheres islâmicas que precisam usar burcas, vestimenta que cobre todo o corpo, deixando à amostra apenas os olhos. Elas continuam oprimidas e submissas aos homens, são exemplos de como a cultura interfere na vestimenta feminina. As mudanças de padrões são constantes, as tendências vão e vêm com certa efemeridade característica. O que difere cada época, cada cultura é o modo como a mulher se coloca diante das exigências de sua sociedade.
*Estudante de Artes e Design da UFJF
alice_stephan@hotmail.com